Chegaram cheios de ilusões e alguns com elevadas expectativas em relação à participação de STP nos 2ºs Jogos da Lusofonia. A comitiva oficial era composta por 60 elementos, sendo que apenas 30 e poucos eram atletas, incluindo aqueles que tiveram de tratar dos seus passaportes com dinheiro próprio, para não correrem o risco de ficar em terra e os que pagaram a própria passagem, para aproveitar o visto “de graça” que lhes abria uma janela de oportunidade em solo Português. O resto?! O resto era uma mescla de dirigentes de todo tipo, treinadores de todo tipo, medica, jornalistas de todo tipo e alguns amigos sortudos. E ainda dizem que a comitiva foi “encolhida” ao máximo, por falta de financiamento.
Desembarcaram no aeroporto da Portela trajados à rigor: Os basquetebolistas com T-shirts da “F.A.M.A” (Fundação Aurélio Martins) e os restantes atletas com T-shirts do “BISTP”. Estávamos a espera de ver atletas da REPUBLICA DEMOCRATICA DE SÃO TOMÉ E PRINCIPE, ostentando com orgulho as cores da nossa bandeira nas suas vestes – como é da praxe em qualquer delegação oficial que represente qualquer País a nível desportivo – mas ao que parece, por força dos patrocínios improvisados à última hora, alguém resolveu dar um torcicolo no pescoço deste “costume”. E nem se podem desculpar com falta do equipamento Nacional, já que embarcaram em São Tomé vestidos com “ o amarelo e verde” e por indicação superior, foi feita a troca de vestimenta já em pleno voo. Coitados dos voluntários dos Jogos, que tiveram um trabalhão para distinguir os membros da comitiva do BISTP, perdão, da comitiva de STP, na altura do acolhimento no aeroporto.
A nossa “selecção” de Basquetebol foi a primeira a entrar em acção, contra a frágil selecção de Macau. Os nossos rapazes eram mais altos e mais dotados tecnicamente, mas nada puderam fazer contra a velocidade de execução, a experiencia internacional e organização colectiva dos jogadores Asiáticos. Resultado: 102 a 77! Creio que não se podia pedir muito mais a uma “selecção” composta por jovens amantes do “basket”, que se juntam aos fins-de-semana para atirar umas bolas ao cesto numa “quadra” esburacada, desprovidos de quaisquer noções tácticas do jogo e inclusive, denotando algumas lacunas no conhecimento das regras internacionais do basquetebol. Exigia-se pois, algum trabalho de casa nestes dois aspectos, embora tenha ficado com a leve impressão de que o próprio seleccionador Nacional também não percebia lá muito da “coisa”. Enfim, o que se pode fazer, quando não se cria condições no País para termos melhores jogadores, melhores treinadores e melhores dirigentes desportivos?!
No segundo jogo, para atribuição do último e penúltimo lugares, contra a selecção de Moçambique, veio mais uma vez ao de cima as fragilidades tácticas e de organização de jogo, que somando à falta de um treinador qualificado, nos conduziram com certa naturalidade ao último lugar no torneio de Basquetebol dos jogos da Lusofonia 2009.
Duas notas negativas à delegação de Basquetebol, nomeadamente ao presidente da federação:
1ª – Não entendo como é que não se criou as condições necessárias para a convocação do único atleta profissional do País, o meu amigo Eki “poste”, campeão Nacional de Portugal pelo ex-glorioso, S.L.B. Creio que, o que se poupava no bilhete de passagem do mais fraco jogador que veio de São Tomé, dava e sobrava para pagar o seguro e o subsídio diário de alguém que representaria uma mais-valia e voz de comando para a nossa jovem e inexperiente selecção.
2º - Em termos logísticos, é inadmissível que os atletas de uma selecção oficial de um País não tenham ao seu dispor durante um jogo, simples garrafas de água para matarem a sede e tenha sido necessário recorrer de improviso ao stock da claque oficial para suprir essa falha vergonhosa… Como se não bastasse vermos sistematicamente os nossos atletas a serem assistidos pelos massagistas dos adversários nas alturas das lesões, porque não temos condições de ao menos comprar uma mala de primeiros socorros com os artigos básicos de assistência aos desportistas. Até quando vamos continuar assim, meus senhores?
No dia seguinte, entrou em acção a nossa selecção de futsal, a rainha dos improvisos: Tinha um seleccionador improvisado (sempre conheci o Sr. Lima Neto como um treinador de andebol que fazia uns biscates no voleibol, não sabia que o homem também fazia biscates no futsal), tinha 3 ou 4 jogadores seleccionados de improviso em Portugal, porque não havia dinheiro para trazer a equipa completa de São Tomé (e garanto-vos que nem eram dos melhores que temos por cá) e tinha também, um massagista recrutado de improviso no dia da cerimónia de abertura e que nem estava devidamente credenciado para se sentar no banco de suplentes nos dias dos jogos (mas, ainda bem que o recrutaram, já que era o único que incentivava e dava indicações aos nossos jogadores, inclusive nas alturas em que a equipa adversaria pedia um desconto de tempo e o nosso seleccionador mantinha-se impávido e calado, a espera da intervenção divina). Juntando tudo isso às deficiências técnicas acima referidas quando falei do Basquetebol, nomeadamente, a nível da organização táctica, da falta de um sistema de jogo, do desconhecimento de algumas regras do jogo e da ausência de uma liderança qualificada e competente, foi também com naturalidade que sofremos goleadas em todos os jogos e chegamos ao fim do torneio de futsal em último lugar (com algum mérito, diga-se de passagem), sendo que, apenas no jogo contra o Brasil, a qualidade e a garra de alguns dos nossos jogadores vieram ao de cima. Enfim, o que se pode fazer, quando não se cria condições no País para termos melhores jogadores, melhores treinadores e melhores dirigentes?!
Um exemplo da falta de competência do corpo técnico da nossa selecção: No final dos jogos, os atletas dos outros Países permaneciam no campo a fazerem alongamentos e exercícios de relaxamento muscular durante uns 15 minutos (como ditam os livros, nos casos em que as equipas têm jogos em dias seguidos) enquanto os nossos dirigiam-se logo aos balneários. O mais curioso é que nem foram capazes de seguir o exemplo dos outros nos jogos seguintes. Bom, ao menos podemos nos gabar de termos sido a única selecção dos PALOPS a apresentar um seleccionador “da casa”. Incompetente ou não, era dos nossos.
Falta apenas referir que também no futsal, foram os massagistas das equipas adversárias a assistir os nossos atletas nas alturas das lesões, já que no meio de tantos improvisos, esqueceram-se de improvisar uma mala de primeiros socorros para o nosso massagista improvisado.
Não pude assistir à prestação dos nossos atletas do voleibol de praia, mas quando soube que fomos eliminados pela dupla de Timor, lembrei-me logo das palavras do responsável da equipa no aeroporto, quando tentei aferir as expectativas que traziam os nossos voleibolistas: “viemos só para marcar presença”, disse-me ele, em jeito de premonição. Enfim, o que se pode fazer, quando não se cria condições no País para termos melhores jogadores, melhores treinadores e melhores dirigentes?!
A nossa “honra” foi salva pelos praticantes de Atletismo de pista e de Taekwondo.
É curioso notar que todas as atletas medalhadas no atletismo, residem e treinam actualmente em Portugal, onde as condições de treino, embora não sejam ainda as ideais, são de longe, melhores das que dispunham em STP, o que me leva a questionar se os resultados seriam os mesmos, se elas ainda estivessem a fazer umas corridas na velha e esburacada pista de atletismo do Estádio 12 de Julho (será que chegaram a incluir uma pista nova depois das obras de remodelação?). Em conversa que mantive com algumas delas, garantiram-me que não. Esqueci-me foi de perguntar, se elas usufruem de algum tipo de apoio financeiro por parte do Estado São-tomense, como atletas internacionais que são.
Quanto ao Taekwondo, confesso que não tinha noção do nível de excelência em que se encontram os nossos atletas e nem faço a mais pálida ideia das condições de treino que dispõem (será que são todos “made in Palácio dos Pioneiros”? quem os treina?). O facto incontornável é que dos 6 atletas que nos representaram nesta modalidade, 5 ganharam medalhas, incluindo uma de ouro e uma de prata. Fantástico!!!!
Uma palavra de apreço para o nosso “medalha de ouro”, Eloy Boa Morte, um diamante em bruto (segundo dizem os especialistas) que poderia elevar bem alto o nome de São Tomé e Príncipe, até a nível olímpico (Estava inclusivamente qualificado para os jogos Olímpicos de Pequim e não pôde participar pelo mesmo motivo de sempre: Falta de verba!). O Eloy é atleta do S.L e Benfica, clube pelo qual farta-se de ganhar títulos, sem qualquer tipo de apoio, vendo-se obrigado a fazer uns biscates para sobreviver, o que já o levou a equacionar o abandono do Taekwondo, caso as coisas não mudem num futuro próximo. Não sou bruxo, mas não me admiraria mesmo nada, se num futuro próximo visse o “nosso” Eloy a triunfar com as cores de um outro País qualquer, que não perderá a oportunidade de ter um atleta deste calibre nos seus quadros (lembram-se da ex-nossa, Enezenaide Gomes, hoje Naide Gomes?). Abram as pestanas, senhores dirigentes desportivos!
A prestação de STP em Atletismo e Taekwondo, veio mais uma vez provar que a nível individual, temos alguns talentos a ter em conta, mesmo nas modalidades colectivas. O complicado tem sido proporcionar-lhes condições de treino e de trabalho para explorarem ao máximo o seu potencial e a nível das modalidades colectivas, acrescente-se também, o vazio que há na formação (ou contratação) de treinadores que sejam capazes de realizar um trabalho serio e competente, de forma a faze-los funcionar em equipa. Para isso, era também necessário que a competência e a visão estratégica fizessem escola a nível dos nossos dirigentes desportivos e não só. Mas depois teríamos que resolver o eterno problema da falta de meios para tudo, o que nos faria voltar ao ponto de partida. Complicado, não é?
Apesar de todos esses improvisos e das dificuldades do costume, conseguimos conquistar 7 medalhas e ficar no quinto lugar da classificação geral, a frente de Países como Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau. Um feito estrondoso, dada a falta de expressão internacional dos nossos atletas e às dimensões reduzidas, do nosso País e da nossa população.
Imaginem agora, meus senhores, como seria se tivéssemos investido algum dinheiro no desporto Nacional? Se tivéssemos construído algumas infra-estruturas básicas, como um pavilhão multi-desportivo e um campo de futebol 11 em cada distrito? Se tivéssemos construído pelo menos duas pistas de atletismo dignas nos distritos mais populosos, ou talvez uma em São Tomé e outra no Príncipe? Não teriam que ser monumentos impotentes e grandiosos, bastava que fossem funcionais. Como seria se tivéssemos apostado mais na formação e qualificação dos nossos treinadores? Como seria se tivéssemos promovido e apoiado o desporto escolar e as diferentes competições Nacionais, pelo menos nas modalidades com maior expressão?
Num País em que tudo falta e tudo é prioritário, pretender que se invista seriamente no desporto, pode até parecer utópico, mas creio que mais uma vez ficou provado que o retorno seria incomensurável.
Uma nota final para o facto insólito dos repórteres da TVS destacados para cobrir a participação de STP nos jogos da Lusofonia, terem embarcado sem nenhuma câmara de filmar, dado que a ultima hora, “descobriu-se” que a televisão publica apenas dispunha de uma câmara de filmagem operacional e naturalmente que não podiam privar-se dela por cerca de quinze dias. Mas como as passagens já estavam pagas e os vistos garantidos, porque não vir passar quinze dias de ferias “forçadas” à Portugal? Foi pena eles não terem tido algum “jogo de cintura” para improvisar uma câmara de filmar e poder assim, imortalizar o momento histórico em que o (ainda) nosso Eloy Boa Morte, subiu ao mais alto lugar do pódio para receber uma medalha de ouro, ao som do “Independência total”.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
"QUEM GUARDARÁ OS GUARDAS?"
Confesso que não sei quem foi o autor dessa frase de conteúdo filosófico tão profundo e nem estou para ai virado, já que para mim, esse é daqueles casos em que mais importante do que “quem disse”, é “o que foi dito”. Lembrei-me dela há dias, quando ouvi as notícias sobre mais um capítulo vergonhoso (e gravíssimo) da já histórica rixa entre as forças de manutenção da ordem pública e da paz em São Tomé e Príncipe e achei pertinente utiliza-la como rampa de lançamento para a minha crónica de hoje.
Desde que me conheço como gente que oiço falar dos frequentes confrontos e desentendimentos entre os militares das F.A.R.S.T.P e os agentes da Policia Nacional de S.T.P, tendo inclusive presenciado por duas vezes in loco o desenrolar desta disputa descabida pelo primeiro lugar no pódio da estupidez.
Quantas vezes não vimos os militares (fardados ou não) a forçarem a entrada nos recintos públicos de espectáculos sem pagar o respectivo bilhete, demonstrando um total desprezo pelos agentes da polícia destacados no local? Quantas vezes não ouvimos falar de casos em que os militares invadiram as esquadras da polícia para forçar a libertação de colegas seus presos por desacato à a autoridade? Quantos “duelos” públicos não assistimos, entre militares e polícias por assuntos tão corriqueiros como casos de traições amorosas ou simples demarcações territoriais? E em quantos desses casos não houve disparos de armas de fogo ou a ocorrência de uma desforra nos dias a seguir, com a participação de outros colegas de camarata? O mais estranho (ou não) é que até hoje ninguém se preocupou sequer em tentar descortinar os motivos que estarão por trás deste constante "medir de forças" entre os servidores destas duas instituições, quanto mais, esboçar uma tentativa para a resolução do problema.
A verdade é que, neste universo de impunidade e de desresponsabilização que também vai fazendo escola a esse nível em S.T.P, os casos mediáticos vão acontecendo a um ritmo alucinante, tendo inclusive custado a vida de uns tantos coitados, causado lesões permanentes a outros e contribuído para a existência de graves desavenças entre familiares e amigos.
O que passará pela cabeça do comum cidadão quando constata que aqueles que têm o dever constitucional de zelar pela sua segurança, andam na praça pública a digladiarem-se, qual cowboys no tempo do velho oeste selvagem, atentando de forma irresponsável e altamente perigosa contra a tal ordem publica que juraram proteger?
Que moral terão esses senhores para agirem de forma coerciva sobre os delinquentes que agora proliferam na nossa praça, quando são eles próprios que se apresentam aos cidadãos como os maiores desordeiros?
Como é que querem conquistar o respeito das populações e impor a ordem, se eles próprios não se respeitam entre si e nem respeitam o rígido código de conduta a que estão submetidos?
Quer queiramos, quer não, os militares e os polícias estão sujeitos a uma ética e uma disciplina diferente dos restantes cidadãos e por causa disso, as suas falhas a esse nível, são duplamente graves.
Espero que o recente acontecimento entre as forças policiais e os militares do corpo da Guarda Presidencial – essa é nova, qualquer dia os agentes da PIC também entram no barulho – faça disparar o alarme e leve as pessoas responsáveis a reflectirem seriamente sobre essa questão para encontrarem soluções definitivas, porque numa altura em que os São-tomenses deixaram de ser um povo pacato e estão mais propensos a resolver as suas diferenças na base da violência, em que a criminalidade e a delinquência começam a ganhar contornos assustadores e em que o desrespeito pelas leis e pela autoridade do estado é cada vez mais uma pratica comum, é fundamental a afirmação de uma força policial disciplinada, competente e totalmente comprometida com os sagrados valores emanados da constituição da republica. O mesmo serve para os militares, que têm que perceber de uma vez por todas que não são os donos do País – presunção assumida sobretudo em resultado das duas ultimas tentativas de golpe de estado em que eles tiveram papel preponderante – e que não podem sistematicamente estar a atentar impunemente contra a ordem publica, desonrando e desrespeitando a instituição que servem e os seus colegas da policia, que em ultima analise são as pessoas legalmente mandatadas para zelar pela segurança interna e pelo cumprimento da lei por parte de TODOS os cidadãos.
Em jeito de conclusão, devo acrescentar que ao contrário do que foi sugerido por algumas pessoas – que relevaram o facto dessas situações terem deixado de acontecer no consulado Ministro Óscar Sousa – não creio que a solução passe pela personificação de um tipo de liderança musculada que terá produzido alguns resultados, mas que sempre esteve (e estará) condicionada em termos de “prazo de validade”, pelos ciclos de governação inerentes ao facto de vivermos em democracia. A solução passa sim, pela criação de instituições fortes e disciplinadas, submetidas ao poder legitimamente instituído e nunca à uma pessoa em especial, de forma a fazer valer aquela velha máxima que diz: “Os homens passam e as instituições permanecem. “
Desde que me conheço como gente que oiço falar dos frequentes confrontos e desentendimentos entre os militares das F.A.R.S.T.P e os agentes da Policia Nacional de S.T.P, tendo inclusive presenciado por duas vezes in loco o desenrolar desta disputa descabida pelo primeiro lugar no pódio da estupidez.
Quantas vezes não vimos os militares (fardados ou não) a forçarem a entrada nos recintos públicos de espectáculos sem pagar o respectivo bilhete, demonstrando um total desprezo pelos agentes da polícia destacados no local? Quantas vezes não ouvimos falar de casos em que os militares invadiram as esquadras da polícia para forçar a libertação de colegas seus presos por desacato à a autoridade? Quantos “duelos” públicos não assistimos, entre militares e polícias por assuntos tão corriqueiros como casos de traições amorosas ou simples demarcações territoriais? E em quantos desses casos não houve disparos de armas de fogo ou a ocorrência de uma desforra nos dias a seguir, com a participação de outros colegas de camarata? O mais estranho (ou não) é que até hoje ninguém se preocupou sequer em tentar descortinar os motivos que estarão por trás deste constante "medir de forças" entre os servidores destas duas instituições, quanto mais, esboçar uma tentativa para a resolução do problema.
A verdade é que, neste universo de impunidade e de desresponsabilização que também vai fazendo escola a esse nível em S.T.P, os casos mediáticos vão acontecendo a um ritmo alucinante, tendo inclusive custado a vida de uns tantos coitados, causado lesões permanentes a outros e contribuído para a existência de graves desavenças entre familiares e amigos.
O que passará pela cabeça do comum cidadão quando constata que aqueles que têm o dever constitucional de zelar pela sua segurança, andam na praça pública a digladiarem-se, qual cowboys no tempo do velho oeste selvagem, atentando de forma irresponsável e altamente perigosa contra a tal ordem publica que juraram proteger?
Que moral terão esses senhores para agirem de forma coerciva sobre os delinquentes que agora proliferam na nossa praça, quando são eles próprios que se apresentam aos cidadãos como os maiores desordeiros?
Como é que querem conquistar o respeito das populações e impor a ordem, se eles próprios não se respeitam entre si e nem respeitam o rígido código de conduta a que estão submetidos?
Quer queiramos, quer não, os militares e os polícias estão sujeitos a uma ética e uma disciplina diferente dos restantes cidadãos e por causa disso, as suas falhas a esse nível, são duplamente graves.
Espero que o recente acontecimento entre as forças policiais e os militares do corpo da Guarda Presidencial – essa é nova, qualquer dia os agentes da PIC também entram no barulho – faça disparar o alarme e leve as pessoas responsáveis a reflectirem seriamente sobre essa questão para encontrarem soluções definitivas, porque numa altura em que os São-tomenses deixaram de ser um povo pacato e estão mais propensos a resolver as suas diferenças na base da violência, em que a criminalidade e a delinquência começam a ganhar contornos assustadores e em que o desrespeito pelas leis e pela autoridade do estado é cada vez mais uma pratica comum, é fundamental a afirmação de uma força policial disciplinada, competente e totalmente comprometida com os sagrados valores emanados da constituição da republica. O mesmo serve para os militares, que têm que perceber de uma vez por todas que não são os donos do País – presunção assumida sobretudo em resultado das duas ultimas tentativas de golpe de estado em que eles tiveram papel preponderante – e que não podem sistematicamente estar a atentar impunemente contra a ordem publica, desonrando e desrespeitando a instituição que servem e os seus colegas da policia, que em ultima analise são as pessoas legalmente mandatadas para zelar pela segurança interna e pelo cumprimento da lei por parte de TODOS os cidadãos.
Em jeito de conclusão, devo acrescentar que ao contrário do que foi sugerido por algumas pessoas – que relevaram o facto dessas situações terem deixado de acontecer no consulado Ministro Óscar Sousa – não creio que a solução passe pela personificação de um tipo de liderança musculada que terá produzido alguns resultados, mas que sempre esteve (e estará) condicionada em termos de “prazo de validade”, pelos ciclos de governação inerentes ao facto de vivermos em democracia. A solução passa sim, pela criação de instituições fortes e disciplinadas, submetidas ao poder legitimamente instituído e nunca à uma pessoa em especial, de forma a fazer valer aquela velha máxima que diz: “Os homens passam e as instituições permanecem. “
quinta-feira, 23 de abril de 2009
REFLEXÕES SOLTAS II – A UTILIDADE DA MORTE.
Um dia li num desses livros aparentemente inúteis que se vendiam nas antigas ferias do livro em São Tomé, um poema de um poeta Brasileiro que, se a memoria não me atraiçoa, num dos seus versos dizia o seguinte: “ Não consigo entender três coisas, o tempo, a morte e o teu olhar”.
Na época, não reflecti de uma forma seria sobre essa frase, porque estávamos naquela fase da adolescência em que um poema bonito declamado na altura certa, poderia significar o sucesso de uma conquista amorosa e acabei apenas por decora-lo de forma “desligada” para um ocasião daquelas. Hoje, com a maturidade e o "vivimento" que só a idade proporciona, ao escolher a morte como o segundo tema das minhas “reflexões soltas”, dei comigo a pensar seriamente no alcance e conteúdo filosófico dessa frase.
Concordo plenamente com o autor quando diz que não entende o olhar da sua amada (embora nunca a tenha visto) porque partindo da premissa universal que o olhar de uma mulher é imperscrutável, só tenho que assinar por baixo.
O tempo, também não o entendo, pelo menos hoje. Pode ser que daqui há algum tempo possa vir a tentar entendê-lo e quiçá escolhe-lo como o tema de uma das minhas futuras “reflexões”, mas hoje não! Hoje apetece-me apenas divagar sobre a utilidade da morte.
O que é então a morte? Significara ela o fim de tudo ou o princípio de algo de muito bom? E como seria o mundo se ela não existisse?
Como não sou bruxo e não conheço ninguém que tenha experimentado a sensação de estar “do lado de lá”, não posso ter a pretensão de saber a resposta para algumas dessas questões complicadas e nem me atrevo a desenhar cenários floridos sobre algo que ninguém consegue provar, pelo menos até ser embalado nos tentáculos frios da morte (mesmo chegando a esse ponto, trata-se de uma “experimentação” em que não se pode partilhar as conclusões com mais ninguém, a não ser que os outros queiram também, a titulo de curiosidade, viver a experiencia na sua plenitude, que é como quem diz: Viver a morte…Irónico, não é?). Posso sim, enfatizar a premissa muito verdadeira de que, num universo de variáveis relativas, apenas o carácter absoluto e definitivo da morte é incontestável. Todos acabamos por morrer um dia, alternando na equação da vida apenas as variáveis “como”,” onde” e “quando”. Logo, posso concluir com toda a propriedade e de forma irrefutável que sob certo ponto de vista, não está errado afirmar que nós viemos ao mundo para morrer e que é esse o nosso propósito final e o único “objectivo” comum de todos e de tudo nessa vida.
O facto de chegar a essa conclusão não significa que concordo com a existência da morte ou que valorize a sua utilidade, aliás, sou um acérrimo critico da morte desde que ela levou o meu pai há cerca de 26 anos atrás, deixando a minha mãe desamparada com 4 filhos pequenos para criar.
Naturalmente que o meu lado racional aceita a morte como uma coisa necessária para manter o equilíbrio no nosso mundo e até para valorizar a própria vida, mas o meu lado emocional, não! O meu lado emocional não vê utilidade nenhuma na morte e até preferiria que ela não existisse. O meu lado emocional adoraria não ter que experimentar os sentimentos de dor, de perda e de saudade que nos varrem o corpo e a alma sempre que morre alguém que nos é querido. O meu lado emocional daria o “seu dedinho da mão esquerda” para que se inventasse um estratagema infalível para enganar a morte sem por em risco o tal equilíbrio natural que a própria morte garante. O meu lado emocional rejubilaria de alegria se o meu pai não tivesse morrido, se as minhas avós também estivessem ainda vivas e com elas, todos os familiares e amigos que já perdi nessa vida. Mas como o mundo não gira a volta do meu umbigo, também os pais, os avôs, as avós, os amigos e familiares de todos ainda estariam vivos. Como seria então? Onde caberíamos todos? Será que chegaríamos a nascer, nós, cujos antepassados já existiam há tantos milénios atrás e com a ausência da morte certamente chegariam a um ponto em que deixariam de fazer o amor com o intuito de procriar? Talvez esteje a exagerar um pouquinho nesses desejos desvairados do meu lado emocional, mas já que estamos todos fatalmente condenados a morrer, custava "inventarem" algumas regras basicas para a morte ser menos penosa?! E se por exemplo, apenas fosse permitido morrermos durante o sono de forma totalmente indolor? Custava assim tanto implantarem essa regra?! E se fosse proibido morrermos antes dos 40 anos, de forma a permitir que todos pudessem experimentar a vida de forma mais prolongada e evitar que as crianças e os jovens perdessem a vida prematuramente?! Fazia assim tanta diferença?! E se fosse totalmente inconcebivel os filhos morrerem antes dos Pais?! A morte em si é algo doloroso, mas garanto-vos que não há nada mais doloroso e traumatizante do que os Pais perderem um filho. E se não fosse permitido morrer mais do que uma pessoa de cada vez na mesma familia?! Tendo em conta as despesas de um funeral, até na parte financeira estariámos mais aliviados. Ficam assim registadas algumas das minhas reivindicações dirigidas à entidade que inventou a morte.
Posso então concluir que se hoje estou aqui a escrever esses impropérios contra a morte, a ela o devo, porque se ela não existisse, também eu não existiria. Resta-me pois, dar primazia ao meu lado racional e aceitar a morte como algo natural e necessário, sem cair na tentação de tentar entende-la, limitando-me a fazer figas para que eu a encontre apenas no ocaso da minha existência, porque apesar de tudo, parafraseando o meu amigo Uva (assim chamado pela sua tendência para exagerar no consumo do vinho tinto): A VIDA É BELA E QUEM MORRE É BURRO!!!!!!
Não consigo entender o tempo, a morte e o teu olhar, dizia o poeta. Continuo sem conseguir entender o tempo, a morte e o olhar das mulheres, digo eu, resignado.
Na época, não reflecti de uma forma seria sobre essa frase, porque estávamos naquela fase da adolescência em que um poema bonito declamado na altura certa, poderia significar o sucesso de uma conquista amorosa e acabei apenas por decora-lo de forma “desligada” para um ocasião daquelas. Hoje, com a maturidade e o "vivimento" que só a idade proporciona, ao escolher a morte como o segundo tema das minhas “reflexões soltas”, dei comigo a pensar seriamente no alcance e conteúdo filosófico dessa frase.
Concordo plenamente com o autor quando diz que não entende o olhar da sua amada (embora nunca a tenha visto) porque partindo da premissa universal que o olhar de uma mulher é imperscrutável, só tenho que assinar por baixo.
O tempo, também não o entendo, pelo menos hoje. Pode ser que daqui há algum tempo possa vir a tentar entendê-lo e quiçá escolhe-lo como o tema de uma das minhas futuras “reflexões”, mas hoje não! Hoje apetece-me apenas divagar sobre a utilidade da morte.
O que é então a morte? Significara ela o fim de tudo ou o princípio de algo de muito bom? E como seria o mundo se ela não existisse?
Como não sou bruxo e não conheço ninguém que tenha experimentado a sensação de estar “do lado de lá”, não posso ter a pretensão de saber a resposta para algumas dessas questões complicadas e nem me atrevo a desenhar cenários floridos sobre algo que ninguém consegue provar, pelo menos até ser embalado nos tentáculos frios da morte (mesmo chegando a esse ponto, trata-se de uma “experimentação” em que não se pode partilhar as conclusões com mais ninguém, a não ser que os outros queiram também, a titulo de curiosidade, viver a experiencia na sua plenitude, que é como quem diz: Viver a morte…Irónico, não é?). Posso sim, enfatizar a premissa muito verdadeira de que, num universo de variáveis relativas, apenas o carácter absoluto e definitivo da morte é incontestável. Todos acabamos por morrer um dia, alternando na equação da vida apenas as variáveis “como”,” onde” e “quando”. Logo, posso concluir com toda a propriedade e de forma irrefutável que sob certo ponto de vista, não está errado afirmar que nós viemos ao mundo para morrer e que é esse o nosso propósito final e o único “objectivo” comum de todos e de tudo nessa vida.
O facto de chegar a essa conclusão não significa que concordo com a existência da morte ou que valorize a sua utilidade, aliás, sou um acérrimo critico da morte desde que ela levou o meu pai há cerca de 26 anos atrás, deixando a minha mãe desamparada com 4 filhos pequenos para criar.
Naturalmente que o meu lado racional aceita a morte como uma coisa necessária para manter o equilíbrio no nosso mundo e até para valorizar a própria vida, mas o meu lado emocional, não! O meu lado emocional não vê utilidade nenhuma na morte e até preferiria que ela não existisse. O meu lado emocional adoraria não ter que experimentar os sentimentos de dor, de perda e de saudade que nos varrem o corpo e a alma sempre que morre alguém que nos é querido. O meu lado emocional daria o “seu dedinho da mão esquerda” para que se inventasse um estratagema infalível para enganar a morte sem por em risco o tal equilíbrio natural que a própria morte garante. O meu lado emocional rejubilaria de alegria se o meu pai não tivesse morrido, se as minhas avós também estivessem ainda vivas e com elas, todos os familiares e amigos que já perdi nessa vida. Mas como o mundo não gira a volta do meu umbigo, também os pais, os avôs, as avós, os amigos e familiares de todos ainda estariam vivos. Como seria então? Onde caberíamos todos? Será que chegaríamos a nascer, nós, cujos antepassados já existiam há tantos milénios atrás e com a ausência da morte certamente chegariam a um ponto em que deixariam de fazer o amor com o intuito de procriar? Talvez esteje a exagerar um pouquinho nesses desejos desvairados do meu lado emocional, mas já que estamos todos fatalmente condenados a morrer, custava "inventarem" algumas regras basicas para a morte ser menos penosa?! E se por exemplo, apenas fosse permitido morrermos durante o sono de forma totalmente indolor? Custava assim tanto implantarem essa regra?! E se fosse proibido morrermos antes dos 40 anos, de forma a permitir que todos pudessem experimentar a vida de forma mais prolongada e evitar que as crianças e os jovens perdessem a vida prematuramente?! Fazia assim tanta diferença?! E se fosse totalmente inconcebivel os filhos morrerem antes dos Pais?! A morte em si é algo doloroso, mas garanto-vos que não há nada mais doloroso e traumatizante do que os Pais perderem um filho. E se não fosse permitido morrer mais do que uma pessoa de cada vez na mesma familia?! Tendo em conta as despesas de um funeral, até na parte financeira estariámos mais aliviados. Ficam assim registadas algumas das minhas reivindicações dirigidas à entidade que inventou a morte.
Posso então concluir que se hoje estou aqui a escrever esses impropérios contra a morte, a ela o devo, porque se ela não existisse, também eu não existiria. Resta-me pois, dar primazia ao meu lado racional e aceitar a morte como algo natural e necessário, sem cair na tentação de tentar entende-la, limitando-me a fazer figas para que eu a encontre apenas no ocaso da minha existência, porque apesar de tudo, parafraseando o meu amigo Uva (assim chamado pela sua tendência para exagerar no consumo do vinho tinto): A VIDA É BELA E QUEM MORRE É BURRO!!!!!!
Não consigo entender o tempo, a morte e o teu olhar, dizia o poeta. Continuo sem conseguir entender o tempo, a morte e o olhar das mulheres, digo eu, resignado.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
CONVERSAS SOLTAS XII - Sobre o (mau) funcionamento da EMAE.
* Dois compadres encontram-se nas instalações da EMAE quando iam pagar as suas contas de água e luz:
Compadre 1 – Olha quem está aqui…Há muito tempo compadre… Como é que foi a estadia em Portugal? E a comadre Maria? Já esta melhor?
Compadre 2 – Pois é meu caro amigo, já se passaram 4 meses…A Maria está a recuperar bem da operação, como já estávamos sem dinheiro, tive que regressar sozinho para voltar ao trabalho. Ela vai continuar por lá mais um mês na casa dos familiares.
C 1 – Isso são boas notícias, ainda bem que a irmã dela conseguiu mexer água para essa Junta médica, vale a pena ser vivêncha de gente pesada… Então?! Compadre veio contribuir mais um bocado para o aumento da conta da EMAE? Olha que essa coisa de energia e água continua complicado por aqui…
C 2 – Nem te digo nada, depois de 4 meses fora do Pais, recebo ontem uma factura de água e luz de dois milhões de dobras…Dá para acreditar? Dois milhões!
C1 – Credo! Compadre deixou alguma coisa ligada ou quê? Alguma lâmpada ou frigorifico?
C 2 – Qual frigorífico? Desde que o outro avariou no ano passado que nós não temos frigorifico em casa e só agora é que eu trouxe uma televisão pequena que me deram em Portugal... Em casa só temos 5 lâmpadas, ferro de engomar e um rádio que eu ligo de vez enquanto para ouvir as notícias e fechei a torneira do próprio contador da agua antes de viajar… E mesmo que tivesse deixado uma lâmpada acesa não era caso para chegar a esse valor com essa situação de só haver energia um dia sim, dois dias não.
C 1 – Realmente isso é um roubo. Compadre tem que reclamar.
C 2 – O quê que compadre acha que estou a fazer? Há 3 dias que ando para frente e para trás…No primeiro dia falei com aquela senhora do balcão e ela disse que não pode fazer nada, se o contador marcou, está marcado! Pedi para falar com o chefe dela e ela disse que ele tinha ido almoçar, provavelmente só voltaria no dia seguinte. Dito e feito, esperei pelo homem até ao fim do expediente e o gajo não voltou… Vim ontem falar com ele, trouxe o bilhete de passagem e as copias dos documentos da junta para provar que estive ausente do País durante 4 meses e ele disse que sou mentiroso, que aluguei a casa a alguém e agora não quero pagar. Fui falar com o Director comercial, expliquei a situação e ele mandou um técnico ir lá pra casa confirmar a leitura.
C 1 – …E como é que ficou? Estava marcado?
C 2 – O gajo mexeu no contador, mostrou uns números esquisitos que eu não percebi e disse que estava bem e que tinha de pagar… Voltei hoje para falar com o Director comercial outra vez e disse-lhe que se não resolvesse o meu problema, iria falar com o próprio Director da EMAE e até com o Ministro se fosse preciso. Sabes que ele me disse?! Que o máximo que podia fazer era perdoar uma parte e eu pagar a outra. Já viste como é que as coisas funcionam aqui na EMAE?
C 1 – Isso esta cada vez pior…Eu também as vezes noto que as facturas vêm com valores muito altos e sempre que reclamo, voltam a baixar o valor, as vezes sem ir confirmar no contador…Realmente essa EMAE é um bobo.
C 2 – É bobo ou são uns ladrões! Mandam as facturas aldrabadas e se um gajo não reclama, dão-te no lombo com a força toda. Se com essas falhas de energia a gente já paga tudo isso, imagina se a energia fosse 24 h sobre 24h? Aí é que estávamos todos “buiados”. Mesmo assim nunca têm dinheiro para pagar o gasóleo da ENCO.
C 1 – Por isso é que o País não arranca…Um gajo vai tratar de algum documento e há sempre problemas porque não há energia pra ligar o computador e o ar condicionado dos funcionários públicos. As empresas que não têm geradores próprios são constantemente lesadas no seu processo de produção e vêm os seus apanhar por tabela clientes por falta de energia eléctrica. Quem tem frigorifico em casa não pode comprar o peixe em quantidade quando está barato porque não dá para saber se vai ter energia ou não para conservar o peixe. As coitadas das palaiês as vezes têm que deixar o peixe estragar porque a própria fabrica de gelo as vezes também não tem energia. O meu filho mais velho estuda a noite e quase nunca tem aulas por falta de energia e por causa disso, duas colegas ja apanharam bariga. Um gajo nunca sabe qual dia que pode assistir ao telejornal ou a um jogo na TV pelo mesmo motivo. Sem falar que esses cortes constantes de energia e as oscilações da corrente dão cabo de todos os electrodomésticos em casa…
C 2 – Pois é, foi assim que o meu frigorifico foi a vida…Nem durou 2 anos. Até já sinto saudades de chegar a casa depois do trabalho e beber uma “fresquinha” a estalar…
C 1 – É melhor compadre contentar com a cerveja quente porque a coisa está cada vez pior.
C 2 – Eu sei…Já deu pra notar que ainda há um longo calvário a ser percorrido…Mas ouvi falar que estão a pensar construir mini barragens hídricas com ajuda do Brasil. É verdade isso?
C 1 – Também ouvi qualquer coisa sobre isso, mas sinceramente que não sei se não será mais um projecto que não passará do papel…Depois de tantos estudos, tantos projectos falhados, tantas expectativas frustradas até tenho medo de voltar a ter esperança para não voltar a ter desilusões…E depois um gajo já esta tão habituado a essa vida que já nem liga muito a isso. Se tiver agua, tomo banho no chuveiro e encho os baldes todos para guardar, se não tiver, vou com os miúdos buscar no chafariz. Se tiver luz, vejo televisão, a mulher engoma com ferro eléctrico e os miúdos podem brincar na rua a noite, se não houver energia, jantamos com luz de vela e vamos cedo para cama fazer “coisa”.
C 2 – Pois é….Eu como estou “sôle”, nem isso posso fazer…
C 1 – Tem calma que isso é temporário… E como é que fica a situação da factura? Compadre vai pagar ou vai tentar falar com o Director da EMAE?
C 2 – Nem sei...E se eles ficarem com raiva por eu ter procurado o Director e nunca mais me darem energia? Como já consegui eliminar uma metade se calhar pago esse um milhão assim mesmo e chamo Deus…
C 1 – Nada disso, não podemos cruzar os braços e dizer sempre “sim senhor” a esses bandidos…Se compadre tem a certeza que não deixou nada ligado para justificar os dois milhões da factura, tem que reclamar e gritar "quidalê" até ao Primeiro-ministro e o Presidente se for preciso. É por esse comodismo que nos encontramos nessa situação. Temos que aprender a reclamar quando as coisas não estão bem e a lutar pelos nossos direitos de uma vez por todas!
C 2 – Ohhhh…Compadre pareceu um político a falar…Sim senhor! Compadre devia vir comigo para ajudar-me a falar com o homem…
C 1 – Kéi, compadre acha? Pra cortarem a minha energia também? O problema é do compadre e é o compadre que em que resolver sozinho. Além disso já não dá tempo, tenho que voltar ao trabalho agora…
C 2 – Eu logo vi que essa conversa era só zôplo…Como sempre, falar é bonito, mas na hora de agir, é cada um por si, não é?
C 1 - ....
E lá seguiram os compadres, cada um pró seu lado, pensativos e acomodados às suas vidas medíocres…Tristemente acomodados.
Compadre 1 – Olha quem está aqui…Há muito tempo compadre… Como é que foi a estadia em Portugal? E a comadre Maria? Já esta melhor?
Compadre 2 – Pois é meu caro amigo, já se passaram 4 meses…A Maria está a recuperar bem da operação, como já estávamos sem dinheiro, tive que regressar sozinho para voltar ao trabalho. Ela vai continuar por lá mais um mês na casa dos familiares.
C 1 – Isso são boas notícias, ainda bem que a irmã dela conseguiu mexer água para essa Junta médica, vale a pena ser vivêncha de gente pesada… Então?! Compadre veio contribuir mais um bocado para o aumento da conta da EMAE? Olha que essa coisa de energia e água continua complicado por aqui…
C 2 – Nem te digo nada, depois de 4 meses fora do Pais, recebo ontem uma factura de água e luz de dois milhões de dobras…Dá para acreditar? Dois milhões!
C1 – Credo! Compadre deixou alguma coisa ligada ou quê? Alguma lâmpada ou frigorifico?
C 2 – Qual frigorífico? Desde que o outro avariou no ano passado que nós não temos frigorifico em casa e só agora é que eu trouxe uma televisão pequena que me deram em Portugal... Em casa só temos 5 lâmpadas, ferro de engomar e um rádio que eu ligo de vez enquanto para ouvir as notícias e fechei a torneira do próprio contador da agua antes de viajar… E mesmo que tivesse deixado uma lâmpada acesa não era caso para chegar a esse valor com essa situação de só haver energia um dia sim, dois dias não.
C 1 – Realmente isso é um roubo. Compadre tem que reclamar.
C 2 – O quê que compadre acha que estou a fazer? Há 3 dias que ando para frente e para trás…No primeiro dia falei com aquela senhora do balcão e ela disse que não pode fazer nada, se o contador marcou, está marcado! Pedi para falar com o chefe dela e ela disse que ele tinha ido almoçar, provavelmente só voltaria no dia seguinte. Dito e feito, esperei pelo homem até ao fim do expediente e o gajo não voltou… Vim ontem falar com ele, trouxe o bilhete de passagem e as copias dos documentos da junta para provar que estive ausente do País durante 4 meses e ele disse que sou mentiroso, que aluguei a casa a alguém e agora não quero pagar. Fui falar com o Director comercial, expliquei a situação e ele mandou um técnico ir lá pra casa confirmar a leitura.
C 1 – …E como é que ficou? Estava marcado?
C 2 – O gajo mexeu no contador, mostrou uns números esquisitos que eu não percebi e disse que estava bem e que tinha de pagar… Voltei hoje para falar com o Director comercial outra vez e disse-lhe que se não resolvesse o meu problema, iria falar com o próprio Director da EMAE e até com o Ministro se fosse preciso. Sabes que ele me disse?! Que o máximo que podia fazer era perdoar uma parte e eu pagar a outra. Já viste como é que as coisas funcionam aqui na EMAE?
C 1 – Isso esta cada vez pior…Eu também as vezes noto que as facturas vêm com valores muito altos e sempre que reclamo, voltam a baixar o valor, as vezes sem ir confirmar no contador…Realmente essa EMAE é um bobo.
C 2 – É bobo ou são uns ladrões! Mandam as facturas aldrabadas e se um gajo não reclama, dão-te no lombo com a força toda. Se com essas falhas de energia a gente já paga tudo isso, imagina se a energia fosse 24 h sobre 24h? Aí é que estávamos todos “buiados”. Mesmo assim nunca têm dinheiro para pagar o gasóleo da ENCO.
C 1 – Por isso é que o País não arranca…Um gajo vai tratar de algum documento e há sempre problemas porque não há energia pra ligar o computador e o ar condicionado dos funcionários públicos. As empresas que não têm geradores próprios são constantemente lesadas no seu processo de produção e vêm os seus apanhar por tabela clientes por falta de energia eléctrica. Quem tem frigorifico em casa não pode comprar o peixe em quantidade quando está barato porque não dá para saber se vai ter energia ou não para conservar o peixe. As coitadas das palaiês as vezes têm que deixar o peixe estragar porque a própria fabrica de gelo as vezes também não tem energia. O meu filho mais velho estuda a noite e quase nunca tem aulas por falta de energia e por causa disso, duas colegas ja apanharam bariga. Um gajo nunca sabe qual dia que pode assistir ao telejornal ou a um jogo na TV pelo mesmo motivo. Sem falar que esses cortes constantes de energia e as oscilações da corrente dão cabo de todos os electrodomésticos em casa…
C 2 – Pois é, foi assim que o meu frigorifico foi a vida…Nem durou 2 anos. Até já sinto saudades de chegar a casa depois do trabalho e beber uma “fresquinha” a estalar…
C 1 – É melhor compadre contentar com a cerveja quente porque a coisa está cada vez pior.
C 2 – Eu sei…Já deu pra notar que ainda há um longo calvário a ser percorrido…Mas ouvi falar que estão a pensar construir mini barragens hídricas com ajuda do Brasil. É verdade isso?
C 1 – Também ouvi qualquer coisa sobre isso, mas sinceramente que não sei se não será mais um projecto que não passará do papel…Depois de tantos estudos, tantos projectos falhados, tantas expectativas frustradas até tenho medo de voltar a ter esperança para não voltar a ter desilusões…E depois um gajo já esta tão habituado a essa vida que já nem liga muito a isso. Se tiver agua, tomo banho no chuveiro e encho os baldes todos para guardar, se não tiver, vou com os miúdos buscar no chafariz. Se tiver luz, vejo televisão, a mulher engoma com ferro eléctrico e os miúdos podem brincar na rua a noite, se não houver energia, jantamos com luz de vela e vamos cedo para cama fazer “coisa”.
C 2 – Pois é….Eu como estou “sôle”, nem isso posso fazer…
C 1 – Tem calma que isso é temporário… E como é que fica a situação da factura? Compadre vai pagar ou vai tentar falar com o Director da EMAE?
C 2 – Nem sei...E se eles ficarem com raiva por eu ter procurado o Director e nunca mais me darem energia? Como já consegui eliminar uma metade se calhar pago esse um milhão assim mesmo e chamo Deus…
C 1 – Nada disso, não podemos cruzar os braços e dizer sempre “sim senhor” a esses bandidos…Se compadre tem a certeza que não deixou nada ligado para justificar os dois milhões da factura, tem que reclamar e gritar "quidalê" até ao Primeiro-ministro e o Presidente se for preciso. É por esse comodismo que nos encontramos nessa situação. Temos que aprender a reclamar quando as coisas não estão bem e a lutar pelos nossos direitos de uma vez por todas!
C 2 – Ohhhh…Compadre pareceu um político a falar…Sim senhor! Compadre devia vir comigo para ajudar-me a falar com o homem…
C 1 – Kéi, compadre acha? Pra cortarem a minha energia também? O problema é do compadre e é o compadre que em que resolver sozinho. Além disso já não dá tempo, tenho que voltar ao trabalho agora…
C 2 – Eu logo vi que essa conversa era só zôplo…Como sempre, falar é bonito, mas na hora de agir, é cada um por si, não é?
C 1 - ....
E lá seguiram os compadres, cada um pró seu lado, pensativos e acomodados às suas vidas medíocres…Tristemente acomodados.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
PRESIDENCIALISMO!? PORQUE NÃO?
Em consequência dos últimos acontecimentos políticos em São Tomé e príncipe, veio a baila mais uma vez a velha questão do sistema de governo que mais se adapta à nossa realidade.
Naturalmente que se fizermos um exercício de reflexão sobre o que tem sido esses 18 anos do sistema Semi-presidencialista em STP (até 2003 com um pendor mais Presidencialista e depois com um pendor mais Parlamentarista), o resultado é catastrófico a todos os níveis, sendo que ainda não se conseguiu descortinar sem margem para duvidas se o mal está no próprio sistema, que não se adequa de todo à nossa realidade ou se está nos autores políticos que muitas vezes atropelam as normas instituídas, por incompetência, por negligencia ou por pura má fé.
Muitos afirmam peremptoriamente que o mal está nos nossos autores políticos, evocando o exemplo de outros Países que enveredaram pelo Semi-presidencialismo com resultados bastantes satisfatórios a nível do funcionamento e da coabitação entre os órgãos do poder político, esquecendo-se que, embora o sistema seja universal, cada País tem as suas particularidades próprias e temos que ter em conta vários factores que podem influenciar de forma significativa a boa implementação pratica dos “princípios teóricos” desse sistema de governo: A própria história do País e do seu povo, a cultura politica dos seus dirigentes, o nível de maturidade das instituições democráticas, a situação económica do País, o nível de alfabetização do seu povo, a competência e a clarividência dos seus políticos, a situação do sistema Judiciário, e.t.c, e.t.c
Outros defendem que dada a nossa “pequenez” em termos de território e de população, o sistema Semi-presidencialista não é o mais adequado e que muitos dos focos de instabilidade que têm assolado STP se deve a algumas lacunas que o sistema apresenta em termos de equilíbrio de poder entre os órgãos políticos.
A verdade é que, seja por culpa do sistema, seja por culpa dos politicos ou até por culpa dos dois, as coisas não têm funcionado a nivel da divisão de competencias e de poderes, e temos assistido nesses anos todos sucessivas crises políticas em resultado de "querelas" entre os orgãos de soberania que têm assassinado de forma implacável as esperanças de desenvolvimento do nosso São Tomé e Príncipe.
Já experimentamos o Presidencialismo totalitário e absolutista e o País não “arrancou”. Já experimentamos o Semi-presidencialismo com poderes alargados para o Presidente e o País voltou a não “arrancar”. Limitou-se os poderes do Presidente numa tentativa de “remediar” o sistema e o País teima em não “arrancar”. Tivemos Presidentes e Governos de diferentes quadrantes políticos e os “casamentos de conveniência” acabaram todos em divórcios litigiosos. Tivemos Presidentes e Governos do mesmo quadrante político (Trovoada/PCD e Fradique/MDFM) e a coisa voltou a não funcionar, caindo por terra o velho mito de que um Presidente e um Primeiro-ministro da mesma cor politica iriam se entender às mil maravilhas. Certamente que os problemas de São Tomé e Príncipe não se resumem apenas ao sistema de governo ou à qualidade (ou falta dela) dos seus políticos, mas creio que uma parte significativa desses problemas “desapareceriam” se conseguíssemos resolver a questão da má governação e dos desentendimentos entre os órgãos de soberania. O que fazer então?
Naturalmente que não conseguiremos mudar os autores políticos todos, pelo menos ao mesmo tempo, então talvez seja altura de experimentar uma mudança a nível do sistema de governo e nesse campo, devo confessar que pela primeira vez estou de acordo com o nosso Presidente: O Presidencialismo pode sim, ser uma saída viável. Não o sistema Presidencialista universal pré concebido, mas um sistema Presidencialista adaptado à nossa realidade de forma a não cairmos outra vez no equívoco de “importar” um sistema novo sem tentar ajusta-lo às particularidades do nosso País e do nosso povo.
Um Presidencialismo em que em termos gerais, o Presidente tivesse o poder executivo e fosse eleito para mandatos de 4 ou 5 anos renováveis, o Supremo tribunal, o poder judiciário em que os juízes fossem nomeados para um mandato único de 6 a 9 anos e o Congresso ou Parlamento, o poder legislativo com mandatos de 4 a 5 anos, sendo que o Presidente não podia dissolver o Congresso em hipótese alguma, cabendo essa prerrogativa ao poder Judiciário (dentro de normas a serem estabelecidas) e onde o congresso pudesse demitir o Presidente em situações de crime, abuso de poder ou violação das normas constitucionais.
Um Presidencialismo onde também fosse eleito um Vice-presidente, para que em caso de morte ou destituição do Presidente, o Vice seja chamado a levar o mandato até ao fim, sem ter necessidade de outras eleições (caso não seja acusado, também ele) e em que o Vice-presidente possa ocupar uma das pastas do gabinete do Presidente ou possa ser o Presidente do Congresso, para que a sua função não seja meramente decorativa.
Um Presidencialismo em que fosse eleito um Congresso ou Parlamento com um máximo de 31 Congressistas ou Deputados, em círculos plurinominais e em que os eleitos seriam funcionários públicos a tempo inteiro, bem renumerados e proibidos de exercer qualquer outra função pública ou privada.
Um Presidencialismo em que os candidatos aos cargos de Presidente, Vice-presidente e Deputado, fossem previamente escrutinados pelo Supremo Tribunal de justiça de forma a não termos “delinquentes” candidatos aos mais altos cargos públicos da nação; onde os indigitados para as pastas do Gabinete do Presidente passassem por um rigoroso processo de “crivagem” no Congresso de forma a evitar as ligações perigosas e o compadrio que se tem verificado nas relações entre o sector publico e o privado e onde todos os titulares de cargos públicos fossem obrigados a apresentar as suas declarações de rendimentos antes de assumir os respectivos cargos.
Um Presidencialismo onde fossem estabelecidas clausulas barreira no sistema eleitoral de forma a limitar a proliferação de partidos políticos, contribuindo para uma maior estabilidade interna e também fazer baixar o valor total das subvenções do estado aos partidos...
Acredito que, pelos motivos aqui evocados e por tudo mais, é chegada a hora de se debater seriamente a questão do sistema de governo em STP e embora seja a Assembleia Nacional o órgão constitucionalmente competente para o efeito, a sociedade civil e os restantes autores políticos não podem assistir a esse processo de braços cruzados, privando-se de se fazerem ouvir num tema tão importante para o futuro do nosso São Tomé e Príncipe.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
CRONICA DE UM GOLPE DE ESTADO ANUNCIADO.
Mais uma vez acordamos um dia desses com notícias sobre um possível golpe de estado em São Tomé e Príncipe ou como se diz no “politiquês” corrente: A tentativa de inversão por via mais ou menos violenta da ordem constitucional no País.
Se a memoria não me atraiçoa, esta é a 5ª vez que tal fenómeno se verifica no São Tomé e Príncipe Democrático, sem contar com aquela brincadeira de mau gosto que o Afonso Costa protagonizou em 1986, no tempo do partido único, quando tentou “tomar” o País com duas dúzias de indivíduos em canoas de remos (ou será que eram a motor?) “armados até aos dentes” com machados, zagaias, “francotes” e uma ou duas armas de verdade, escudados na perícia militar de um ex – mercenário “búfalo” com nome de herói de banda desenhada. A diferença é que desta vez, ao que parece, os nossos serviços de informação (soa à Americano, não é?) lá descobriram a tempo a tramóia e impediram, até ver, aquela que seria a 5ª tentativa de golpe de Estado em STP em 18 anos de Democracia. Incrível! 4 Tentativas de golpe de Estado e 1 quase tentativa em 18 anos de Democracia. Há anos que andamos a competir ferozmente para o título de País com o maior o maior número de Primeiros-ministros e Ministros por m2, ao que parece, acabamos de lançar com algum mérito, a nossa candidatura ao titulo de País com o maior numero de tentativas de golpe de Estado por década.
Falo em tentativas, porque não passaram disso mesmo: Tentativas! Com maior ou menor alvoroço, com mais ou menos tiros disparados, com mais ou menos dirigentes sequestrados, tudo acaba em alguns dias e voltamos todos às nossas vidinhas com os donos do poder a permanecerem de pedra e cal nos seus tronos, como se nada se tivesse passado, não se verificando na pratica a tal “inversão da ordem constitucional no País”. Tudo fica resolvido depois de decretadas as amnistias gerais da praxe para os “delinquentes” e assinados os famosos memorandos de entendimentos, onde se define a atribuição de algumas benesses aos cabecilhas da quadrilha, como compensação por terem abdicado do poder temporariamente conquistado, uma espécie de indemnização por potenciais danos patrimoniais, que vão desde parcelas de terra, casas, carros à bolsas de estudos no exterior, fazendo assim prevalecer a velha máxima de que o crime compensa ou melhor, tentar dar golpe de Estado em STP, compensa bué!
Por tudo isso, não me espanta que sejamos outra vez confrontados com essa realidade e muito menos me espanta que estejamos na presença de "alunos" repetentes, que mais uma vez, carregando a bandeira dos fracos e oprimidos, vêm se escudar na defesa dos interesses do povo para desestabilizar as instituições publicas, esperando como sempre, colher dividendos nas negociações futuras, com o beneplácito da comunidade internacional. Se lhes correu tão bem em 2003, porque razão esperariam um cenário diferente desta vez? É esse o resultado das políticas de “mão branda” para quem atenta de forma tão grave contra a autoridade do estado que se tem vindo a praticar em STP. É esse o resultado da ausência de punições exemplares nas outras vezes em que nos vimos nas mãos desses mesmos infractores, por receio de sei lá o quê, com medo de sei lá quem. Enquanto a justiça em STP continuar a passar essa imagem de impotência e inoperância, enquanto a autoridade do Estado não for reposta de forma afirmativa e inequívoca, não me parece que essa seja última vez em que nos deparamos com situações destas.
Resta-nos aguardar as cenas dos próximos capítulos, para confirmarmos se realmente estamos perante uma tentativa fracassada de golpe de Estado e neste caso, esperar uma reacção nada benevolente por parte dos órgãos da justiça São-tomenses ou se estamos na presença de uma operação de fachada montada de forma “hollywoodesca” para salvaguardar alguns interesses económicos de um grupo de pessoas, como muitos sugerem, por causa da questão dos terrenos da lagoa azul e do tal casino ilegal que funcionava a vista de todos, com a devida conivência dos órgãos de justiça de STP e só agora foi fechado. Quem viver, verá!
Se a memoria não me atraiçoa, esta é a 5ª vez que tal fenómeno se verifica no São Tomé e Príncipe Democrático, sem contar com aquela brincadeira de mau gosto que o Afonso Costa protagonizou em 1986, no tempo do partido único, quando tentou “tomar” o País com duas dúzias de indivíduos em canoas de remos (ou será que eram a motor?) “armados até aos dentes” com machados, zagaias, “francotes” e uma ou duas armas de verdade, escudados na perícia militar de um ex – mercenário “búfalo” com nome de herói de banda desenhada. A diferença é que desta vez, ao que parece, os nossos serviços de informação (soa à Americano, não é?) lá descobriram a tempo a tramóia e impediram, até ver, aquela que seria a 5ª tentativa de golpe de Estado em STP em 18 anos de Democracia. Incrível! 4 Tentativas de golpe de Estado e 1 quase tentativa em 18 anos de Democracia. Há anos que andamos a competir ferozmente para o título de País com o maior o maior número de Primeiros-ministros e Ministros por m2, ao que parece, acabamos de lançar com algum mérito, a nossa candidatura ao titulo de País com o maior numero de tentativas de golpe de Estado por década.
Falo em tentativas, porque não passaram disso mesmo: Tentativas! Com maior ou menor alvoroço, com mais ou menos tiros disparados, com mais ou menos dirigentes sequestrados, tudo acaba em alguns dias e voltamos todos às nossas vidinhas com os donos do poder a permanecerem de pedra e cal nos seus tronos, como se nada se tivesse passado, não se verificando na pratica a tal “inversão da ordem constitucional no País”. Tudo fica resolvido depois de decretadas as amnistias gerais da praxe para os “delinquentes” e assinados os famosos memorandos de entendimentos, onde se define a atribuição de algumas benesses aos cabecilhas da quadrilha, como compensação por terem abdicado do poder temporariamente conquistado, uma espécie de indemnização por potenciais danos patrimoniais, que vão desde parcelas de terra, casas, carros à bolsas de estudos no exterior, fazendo assim prevalecer a velha máxima de que o crime compensa ou melhor, tentar dar golpe de Estado em STP, compensa bué!
Por tudo isso, não me espanta que sejamos outra vez confrontados com essa realidade e muito menos me espanta que estejamos na presença de "alunos" repetentes, que mais uma vez, carregando a bandeira dos fracos e oprimidos, vêm se escudar na defesa dos interesses do povo para desestabilizar as instituições publicas, esperando como sempre, colher dividendos nas negociações futuras, com o beneplácito da comunidade internacional. Se lhes correu tão bem em 2003, porque razão esperariam um cenário diferente desta vez? É esse o resultado das políticas de “mão branda” para quem atenta de forma tão grave contra a autoridade do estado que se tem vindo a praticar em STP. É esse o resultado da ausência de punições exemplares nas outras vezes em que nos vimos nas mãos desses mesmos infractores, por receio de sei lá o quê, com medo de sei lá quem. Enquanto a justiça em STP continuar a passar essa imagem de impotência e inoperância, enquanto a autoridade do Estado não for reposta de forma afirmativa e inequívoca, não me parece que essa seja última vez em que nos deparamos com situações destas.
Resta-nos aguardar as cenas dos próximos capítulos, para confirmarmos se realmente estamos perante uma tentativa fracassada de golpe de Estado e neste caso, esperar uma reacção nada benevolente por parte dos órgãos da justiça São-tomenses ou se estamos na presença de uma operação de fachada montada de forma “hollywoodesca” para salvaguardar alguns interesses económicos de um grupo de pessoas, como muitos sugerem, por causa da questão dos terrenos da lagoa azul e do tal casino ilegal que funcionava a vista de todos, com a devida conivência dos órgãos de justiça de STP e só agora foi fechado. Quem viver, verá!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
REFLEXÕES SOLTAS I - EUTANASIA v.s CASAMENTO HOMOSSEXUAL
Ao lerem o título desta crónica, naturalmente que vos vem a cabeça perguntas do tipo: Que raio tem a ver uma coisa com a outra? O quê que o suicídio assistido tem a ver com a legitimação perante a lei dos homens de uma relação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo? Talvez nada. Talvez tudo.
A abordagem simultânea que faço a dois temas tão distintos e polémicos nas sociedades actuais não é de todo inocente. Numa semana em que acompanhamos a situação de Eluana Englaro, uma mulher Italiana que após 17 anos ligada às maquinas em estado vegetativo e 10 anos de infindáveis batalhas politicas, religiosas e judiciais, viu finalmente confirmado pelo supremo tribunal Italiano “o seu direito à morte assistida” e onde ficamos a conhecer a intenção do secretário-geral do PS e Primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, em levar ao congresso do seu partido uma moção de orientação política onde propõe "a remoção de barreiras jurídicas à celebração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”, dei comigo a pensar seriamente nesses dois assuntos sérios, assistindo as discussões infindáveis que esses temas fracturantes normalmente fazem eclodir nas sociedades de hoje e observando mais uma vez as ligações perigosas que ainda persistem entre a politica e a religião. Como normalmente faço nas poucas vezes que penso seria e profundamente em algum assunto serio, vesti a pele das partes interessadas e cheguei à conclusões “interessantes”:
1 – Se eu fosse um gay ou uma lésbica, de certeza que me agradaria muito poder usufruir do direito que qualquer pessoa tem nas sociedades civilizadas de se casar com quem bem lhe apetecer, seja por amor, pela atracão física ou até mesmo pela atracção financeira.
2 – Se eu estivesse confinado a uma cama de hospital durante alguns anos, como consequência de um azar qualquer que tivesse na vida (toc, toc na madeira) ligado às maquinas em estado vegetativo, sem esperanças de recuperação e aguardando pacientemente o dia da minha morte, toda a minha alma agradeceria profundamente à pessoa que generosamente pusesse fim a esse sofrimento e acabasse com o desgaste físico e mental a que estaria sujeito, “libertando” também a minha família e amigos mais próximos desta pesada cruz.
3 – Se eu fosse um politico populista numa sociedade conservadora, um membro efectivo ou simples adepto ferrenho de uma qualquer religião, apegado aos dogmas bíblicos ou apenas um cidadão tacanho que se recusa a aceitar as mudanças sociais que têm acontecido no nosso dia-a-dia, com certeza que abominaria a ideia de duas pessoas do mesmo sexo poderem ver a sua situação de união “anormal” amparada nos braços da lei.
4 – Se eu continuasse a ser o mesmo politico populista numa sociedade conservadora, o mesmo membro ou praticante ferrenho de uma qualquer religião, de certeza absoluta que defenderia solenemente a premissa suprema de que só devemos deixar esse mundo quando e como o SENHOR entender e nunca antes da altura “marcada” e muito menos por interferência de outro qualquer pecador. Ah, se eu tivesse um familiar próximo ou um amigo chegado confinado a uma cama de hospital, ligado a uma máquina sem hipóteses de recuperação, de certeza que travaria dentro de mim uma luta acesa entre o “aceitar” que se terminasse com o seu sofrimento, mesmo a pedido dele e o “lutar” para que ele se mantivesse vivo, mesmo em situação precária, apenas para suprir o desejo egoísta que todos temos de querer ter as pessoas que nos são queridas perto de nós e entre nós.
Como sempre acontece quando nos “metemos” na pele dos interessados em questões de consciência, acabamos por não chegar a conclusão nenhuma, porque cada um tem os seus motivos, as suas crenças, os seus interesses e as suas próprias experiencias para sustentar o seu ponto de vista ou a sua intransigência. Eu pessoalmente acho que nas duas situações em análise, por se tratar de questões de consciência, acima das politiquices e dos dogmas caducados da igreja, devia prevalecer o nosso livre arbítrio, sustentado naturalmente na premissa maior de que “ a nossa liberdade termina onde começa a do outro”. Podemos não concordar com o casamento homossexual, ou melhor, podemos até não achar muita piada à relação homossexual em si, mas temos que aceita-la como facto consumado nos dias que correm e respeitar os que seguiram por essa via. Podemos achar eticamente imperdoável que uma pessoa em qualquer circunstancia possa por fim a sua própria vida ou pedir a outros que o façam por ela, mas temos que entender que há momentos especiais na vida em que a própria vida torna-se sofrida e sem significado, por isso temos que aceitar e respeitar que o “dono” dessa vida decida acabar com ela como forma de por fim ao seu sofrimento.
Naturalmente que não defendo o livre arbítrio cego e desgovernado, porque como seres sociáveis, não seriam raras as situações em que o nosso livre arbítrio fatalmente acabaria por entrar em colisão com os direitos de outrem ou com as regras instituídas, logo, nos dois assuntos em questão, caberia aos políticos, deixarem de lado a hipocrisia e definir as regras que levassem as pessoas a poderem optar por aquilo que mais lhes conviesse em cada um dos casos. Se é ponto assente que cada vez mais há casais homossexuais assumidos, se muitos inclusive já começam a “juntar os trapinhos”, porque não lhes dar o direito de ver essa relação reconhecida perante a lei? Se há casos de pessoas em estado vegetativo que acabam por falecer repentinamente em circunstancias obscuras, por conta da piedade de um medico ou enfermeiro, porque não permitir de uma vez por todas que essas pessoas tenham um final de vida digno? Por que não definir regras para evitar os equívocos que as vezes acontecem e que custam a vida de muitos que se calhar foram mal diagnosticados e careciam de uma segunda opinião competente? Porque continuar a tapar o sol com a peneira e fazer de conta que nada se passa?
Foi assim na questão do aborto, que mesmo proibido por uma lei conservadora e moralista, acontecia em cada clínica clandestina desse País em condições precárias e continua a acontecer em cada clínica clandestina desse mundo fora, nos Países onde os políticos ainda não foram “iluminados” para perceberem que a melhor solução para esse fenómeno é a sua legalização e o estabelecimento de programas de informação e acolhimento para evitar as milhares de mortes e os inúmeros problemas que padecem as mulheres que recorrem a esses lugares.
È assim na questão da prostituição, que mesmo “proibida”, continua a proliferar em cada cidade e bairro desse País, enriquecendo pessoas de má índole e permitindo também o aumento de “mazelas” sociais como o tráfico de mulheres, o tráfico de droga e as doenças sexualmente transmissíveis. Todos sabem que a prostituição existe, deparamos com ela nas páginas dos classificados dos jornais, nas ruas, em bares de alternes e em casas de striptease, então porque não legalizá-la de uma vez por todas? Porque não transformar essas mulheres e homens em trabalhadores honrados que cumpram com as suas obrigações fiscais como todos os outros contribuintes? Porque não regulamentar o sector de forma a acabar com os “chulos” e instaurar a obrigatoriedade da inspecção médica?
Pese embora os conflitos de ordem moral que possam existir nas questões que frisei, penso que seria de todo útil que houvesse coragem politica para regulamentar aquelas situações que temos como casos consumados, de forma a evitar que as pessoas continuem a agir fora dos braços da lei e permitir que cada um possa optar por aquilo que quer, de acordo com a sua consciência.
Legalizou-se o aborto e quem é contra o aborto pode continuar a ser contra, resguardado nos seus princípios éticos, mas deu-se hipótese aos que são a favor de poderem optar por uma saída segura. Legalize-se então o casamento homossexual e a eutanásia. Os que são contra, poderão continuar a ser contra, bastando que se abstenham de exercer esses direitos, mas ao menos daremos aos que estão a favor o direito de poderem optar sem estar a cometer nenhum tipo de crime. Creio ser esta, a essência da cidadania.
A abordagem simultânea que faço a dois temas tão distintos e polémicos nas sociedades actuais não é de todo inocente. Numa semana em que acompanhamos a situação de Eluana Englaro, uma mulher Italiana que após 17 anos ligada às maquinas em estado vegetativo e 10 anos de infindáveis batalhas politicas, religiosas e judiciais, viu finalmente confirmado pelo supremo tribunal Italiano “o seu direito à morte assistida” e onde ficamos a conhecer a intenção do secretário-geral do PS e Primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, em levar ao congresso do seu partido uma moção de orientação política onde propõe "a remoção de barreiras jurídicas à celebração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”, dei comigo a pensar seriamente nesses dois assuntos sérios, assistindo as discussões infindáveis que esses temas fracturantes normalmente fazem eclodir nas sociedades de hoje e observando mais uma vez as ligações perigosas que ainda persistem entre a politica e a religião. Como normalmente faço nas poucas vezes que penso seria e profundamente em algum assunto serio, vesti a pele das partes interessadas e cheguei à conclusões “interessantes”:
1 – Se eu fosse um gay ou uma lésbica, de certeza que me agradaria muito poder usufruir do direito que qualquer pessoa tem nas sociedades civilizadas de se casar com quem bem lhe apetecer, seja por amor, pela atracão física ou até mesmo pela atracção financeira.
2 – Se eu estivesse confinado a uma cama de hospital durante alguns anos, como consequência de um azar qualquer que tivesse na vida (toc, toc na madeira) ligado às maquinas em estado vegetativo, sem esperanças de recuperação e aguardando pacientemente o dia da minha morte, toda a minha alma agradeceria profundamente à pessoa que generosamente pusesse fim a esse sofrimento e acabasse com o desgaste físico e mental a que estaria sujeito, “libertando” também a minha família e amigos mais próximos desta pesada cruz.
3 – Se eu fosse um politico populista numa sociedade conservadora, um membro efectivo ou simples adepto ferrenho de uma qualquer religião, apegado aos dogmas bíblicos ou apenas um cidadão tacanho que se recusa a aceitar as mudanças sociais que têm acontecido no nosso dia-a-dia, com certeza que abominaria a ideia de duas pessoas do mesmo sexo poderem ver a sua situação de união “anormal” amparada nos braços da lei.
4 – Se eu continuasse a ser o mesmo politico populista numa sociedade conservadora, o mesmo membro ou praticante ferrenho de uma qualquer religião, de certeza absoluta que defenderia solenemente a premissa suprema de que só devemos deixar esse mundo quando e como o SENHOR entender e nunca antes da altura “marcada” e muito menos por interferência de outro qualquer pecador. Ah, se eu tivesse um familiar próximo ou um amigo chegado confinado a uma cama de hospital, ligado a uma máquina sem hipóteses de recuperação, de certeza que travaria dentro de mim uma luta acesa entre o “aceitar” que se terminasse com o seu sofrimento, mesmo a pedido dele e o “lutar” para que ele se mantivesse vivo, mesmo em situação precária, apenas para suprir o desejo egoísta que todos temos de querer ter as pessoas que nos são queridas perto de nós e entre nós.
Como sempre acontece quando nos “metemos” na pele dos interessados em questões de consciência, acabamos por não chegar a conclusão nenhuma, porque cada um tem os seus motivos, as suas crenças, os seus interesses e as suas próprias experiencias para sustentar o seu ponto de vista ou a sua intransigência. Eu pessoalmente acho que nas duas situações em análise, por se tratar de questões de consciência, acima das politiquices e dos dogmas caducados da igreja, devia prevalecer o nosso livre arbítrio, sustentado naturalmente na premissa maior de que “ a nossa liberdade termina onde começa a do outro”. Podemos não concordar com o casamento homossexual, ou melhor, podemos até não achar muita piada à relação homossexual em si, mas temos que aceita-la como facto consumado nos dias que correm e respeitar os que seguiram por essa via. Podemos achar eticamente imperdoável que uma pessoa em qualquer circunstancia possa por fim a sua própria vida ou pedir a outros que o façam por ela, mas temos que entender que há momentos especiais na vida em que a própria vida torna-se sofrida e sem significado, por isso temos que aceitar e respeitar que o “dono” dessa vida decida acabar com ela como forma de por fim ao seu sofrimento.
Naturalmente que não defendo o livre arbítrio cego e desgovernado, porque como seres sociáveis, não seriam raras as situações em que o nosso livre arbítrio fatalmente acabaria por entrar em colisão com os direitos de outrem ou com as regras instituídas, logo, nos dois assuntos em questão, caberia aos políticos, deixarem de lado a hipocrisia e definir as regras que levassem as pessoas a poderem optar por aquilo que mais lhes conviesse em cada um dos casos. Se é ponto assente que cada vez mais há casais homossexuais assumidos, se muitos inclusive já começam a “juntar os trapinhos”, porque não lhes dar o direito de ver essa relação reconhecida perante a lei? Se há casos de pessoas em estado vegetativo que acabam por falecer repentinamente em circunstancias obscuras, por conta da piedade de um medico ou enfermeiro, porque não permitir de uma vez por todas que essas pessoas tenham um final de vida digno? Por que não definir regras para evitar os equívocos que as vezes acontecem e que custam a vida de muitos que se calhar foram mal diagnosticados e careciam de uma segunda opinião competente? Porque continuar a tapar o sol com a peneira e fazer de conta que nada se passa?
Foi assim na questão do aborto, que mesmo proibido por uma lei conservadora e moralista, acontecia em cada clínica clandestina desse País em condições precárias e continua a acontecer em cada clínica clandestina desse mundo fora, nos Países onde os políticos ainda não foram “iluminados” para perceberem que a melhor solução para esse fenómeno é a sua legalização e o estabelecimento de programas de informação e acolhimento para evitar as milhares de mortes e os inúmeros problemas que padecem as mulheres que recorrem a esses lugares.
È assim na questão da prostituição, que mesmo “proibida”, continua a proliferar em cada cidade e bairro desse País, enriquecendo pessoas de má índole e permitindo também o aumento de “mazelas” sociais como o tráfico de mulheres, o tráfico de droga e as doenças sexualmente transmissíveis. Todos sabem que a prostituição existe, deparamos com ela nas páginas dos classificados dos jornais, nas ruas, em bares de alternes e em casas de striptease, então porque não legalizá-la de uma vez por todas? Porque não transformar essas mulheres e homens em trabalhadores honrados que cumpram com as suas obrigações fiscais como todos os outros contribuintes? Porque não regulamentar o sector de forma a acabar com os “chulos” e instaurar a obrigatoriedade da inspecção médica?
Pese embora os conflitos de ordem moral que possam existir nas questões que frisei, penso que seria de todo útil que houvesse coragem politica para regulamentar aquelas situações que temos como casos consumados, de forma a evitar que as pessoas continuem a agir fora dos braços da lei e permitir que cada um possa optar por aquilo que quer, de acordo com a sua consciência.
Legalizou-se o aborto e quem é contra o aborto pode continuar a ser contra, resguardado nos seus princípios éticos, mas deu-se hipótese aos que são a favor de poderem optar por uma saída segura. Legalize-se então o casamento homossexual e a eutanásia. Os que são contra, poderão continuar a ser contra, bastando que se abstenham de exercer esses direitos, mas ao menos daremos aos que estão a favor o direito de poderem optar sem estar a cometer nenhum tipo de crime. Creio ser esta, a essência da cidadania.
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